Done.
Moanin, Art Blakey and The Jazz Messengers
Enjoy
quarta-feira, 21 de abril de 2010
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Entusiasmo
Dizem que foi o concerto que acabou com os sixties. A 6 de Dezembro de 1969, meses depois de Woodstock, com os Rolling Stones como mentores e cabeças-de-cartaz. Um concerto gratuito, nos arredores de San Francisco para tentar recriar o espírito do festival dos "Três dias de Paz e Música". Falharam.
No início de Gimme Shelter (1970), de Albert e David Maysles e Charlotte Zwerin, ouvem-se os organizadores anunciar uma experiência sociológica. "Estão a estacionar no sítio errado. Mas deixem-nos estar", dizem. Pela primeira vez, o princípio seria: os espectadores decidem. Cinco dias antes ainda não tinham recinto e as previsões apontavam para perto de vinte mil espectadores.
Apareceram 300 mil e ainda ninguém, sequer, pensara em segurança. Nas 'barraquinhas', em vez de sandes vendiam-se os aditivos químicos. Para todos os gostos e feitios, dos bons e dos maus e até alguns naturais. Até aqui, nada de novo. E o cartaz até ajudava ao festival onde os Hells Angels tinham sido convocados para o papel de Seguranças.
Mas sem ninguém saber, o mood de Woodstock tinha mudado. O guitarrista dos Jefferson Airplane foi espancado, assim como o baterista dos Gratefull Dead e, salvo erro, o guitarrista que acompanhava o Santana. Entre o público e os Hells Angels, também não apareceu nenhuma empatia. Reza a lenda que a turminha hippie pontapeou umas das Harleys que os seguranças tinham estacionado em frente ao palco. Depois, chegaram os Rolling Stones.
Cada música teve o final antecipado, com Jagger e Richards a pedir para que os ânimos acalmassem e escolherem as mais calmas do reportório. Não sei se terá sido a primeira vez que uma multidão revelou mau feitio, mas é certo que naquela noite não faltaram sopapos entre a geração flower power.
Uns entusiasmados com o consumo de drogas. Outros com um, estranhamente, legal estatuto de autoridade. E à volta do palco, meia dúzia de estrelas com pouco treino entre enchentes e, sobretudo, muita vontade de contrariar a "autoridade". Ao som de Under my Thumb, a escaramuça atingiu o nível histórico. Quando um tal de Meredith Hunter, bem em frente ao palco, sacou a pistola, bem frente ao palco. A reacção do Hell Angel de serviço, apareceu na ponta de uma faca. A autópsia disse que o puto de 18 anos morreu com facadas na orelha, nas costas, marcas de pontapés em todo o corpo e uma grande dose de metanfetaminas. Diz a lenda que queria disparar sobre a banda.
Pelo que tenho visto nas madrugadas do Cais Sodré, não sei se hoje a resposta da Autoridade seria muito diferente. Mas naquele festival, nos arredores de cidade Harvey Milk, o espírito da Paz e do Amor morreu. Quatro nascimentos e quatro mortes, fazem o saldo da última noite da década. Brian Jones despedira-se em Junho e nos dois anos seguintes, Morrison, Joplin, Hendrix também foram e naturalmente, a música e o mood do Mundo mudou.
Terá sido do excesso de entusiasmo?
Enjoy
No início de Gimme Shelter (1970), de Albert e David Maysles e Charlotte Zwerin, ouvem-se os organizadores anunciar uma experiência sociológica. "Estão a estacionar no sítio errado. Mas deixem-nos estar", dizem. Pela primeira vez, o princípio seria: os espectadores decidem. Cinco dias antes ainda não tinham recinto e as previsões apontavam para perto de vinte mil espectadores.
Apareceram 300 mil e ainda ninguém, sequer, pensara em segurança. Nas 'barraquinhas', em vez de sandes vendiam-se os aditivos químicos. Para todos os gostos e feitios, dos bons e dos maus e até alguns naturais. Até aqui, nada de novo. E o cartaz até ajudava ao festival onde os Hells Angels tinham sido convocados para o papel de Seguranças.
Mas sem ninguém saber, o mood de Woodstock tinha mudado. O guitarrista dos Jefferson Airplane foi espancado, assim como o baterista dos Gratefull Dead e, salvo erro, o guitarrista que acompanhava o Santana. Entre o público e os Hells Angels, também não apareceu nenhuma empatia. Reza a lenda que a turminha hippie pontapeou umas das Harleys que os seguranças tinham estacionado em frente ao palco. Depois, chegaram os Rolling Stones.
Cada música teve o final antecipado, com Jagger e Richards a pedir para que os ânimos acalmassem e escolherem as mais calmas do reportório. Não sei se terá sido a primeira vez que uma multidão revelou mau feitio, mas é certo que naquela noite não faltaram sopapos entre a geração flower power.
Uns entusiasmados com o consumo de drogas. Outros com um, estranhamente, legal estatuto de autoridade. E à volta do palco, meia dúzia de estrelas com pouco treino entre enchentes e, sobretudo, muita vontade de contrariar a "autoridade". Ao som de Under my Thumb, a escaramuça atingiu o nível histórico. Quando um tal de Meredith Hunter, bem em frente ao palco, sacou a pistola, bem frente ao palco. A reacção do Hell Angel de serviço, apareceu na ponta de uma faca. A autópsia disse que o puto de 18 anos morreu com facadas na orelha, nas costas, marcas de pontapés em todo o corpo e uma grande dose de metanfetaminas. Diz a lenda que queria disparar sobre a banda.
Pelo que tenho visto nas madrugadas do Cais Sodré, não sei se hoje a resposta da Autoridade seria muito diferente. Mas naquele festival, nos arredores de cidade Harvey Milk, o espírito da Paz e do Amor morreu. Quatro nascimentos e quatro mortes, fazem o saldo da última noite da década. Brian Jones despedira-se em Junho e nos dois anos seguintes, Morrison, Joplin, Hendrix também foram e naturalmente, a música e o mood do Mundo mudou.
Terá sido do excesso de entusiasmo?
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segunda-feira, 29 de março de 2010
Castels made of sand
Despertar tardio e com o corpo bem usado. Depois de celebrar o "jogo título", o roteiro ditou Morangoska e Cais do Sodré. De madrugada, decidi cancelar a ida à praia para a manhã seguinte e acabei por sair apressado do Mercado da Ribeira. Nunca é fácil uma noite em que somos obrigados a reconhecer que Lisboa pode ser uma cidade ameaçadora. E a de Sábado não o foi.
Mesmo sem grande ritmo, com uma ou outra piada, a noite lá se foi fazendo. O suficiente para chegar a casa já bem gasto. Hoje, inevitavelmente, acabei por me deixar dormir. Soube bem, ler o jornal, com o mp3 a fazer companhia e o sol a aquecer as costas. Em paz.
Ainda assim, fosse na noite, ao acordar, ou na esplanada faltou-me sempre qualquer coisa. Será que é por ter surfado duas vezes em dois meses?
Castels made of sand
Enjoy
Mesmo sem grande ritmo, com uma ou outra piada, a noite lá se foi fazendo. O suficiente para chegar a casa já bem gasto. Hoje, inevitavelmente, acabei por me deixar dormir. Soube bem, ler o jornal, com o mp3 a fazer companhia e o sol a aquecer as costas. Em paz.
Ainda assim, fosse na noite, ao acordar, ou na esplanada faltou-me sempre qualquer coisa. Será que é por ter surfado duas vezes em dois meses?
Castels made of sand
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terça-feira, 23 de março de 2010
sobre música
Há uns anos uma amiga especial disse-me que devia escrever sobre música para ganhar a vida. Não sei porquê, mas ainda hoje duvido que tenha razão.
Há músicas a que eu não tenho absolutamente nada a acrescentar. De diferentes géneros, velocidades, pesos e garantidamente de diferentes moods. Alguém sabe traduzir mood?
Músicas que fazem a aparelhagem estalar.Um saxofone, uma guitarra, um baixo ou simplesmente uma voz e um órgão duvidoso. Mais vezes do que gosto de admitir, obrigam-me a reconhecer que os ingredientes são de qualidade duvidosa. O McCartney não era um grande baixista, o Dylan nunca cantou uma nota e o Kurt Cobain não sabia mais que três acordes. Mas e então? Não serão duas das maiores bandas da história? E Dylan não será a verdadeira voz de uma geração?
Na música não há regras ou fórmulas mágicas para o sucesso. As partituras não passam de elementos de orientação e muitos dos caminhos para o estrelato pouco têm a ver com verdadeira Música. Não há explicação possível e todas as teorias acabam por soar a disparate. É genial porque sim. Porque é.
Hoje, fica um naco suculento de Música. Assim, com letra maiúscula, sem deixar nada por dizer ou dar direito a discussão. E quando assim é ... o melhor é nem escrever.
Beck
Everybody's Gotta Learn Sometimes
Enjoy
Há músicas a que eu não tenho absolutamente nada a acrescentar. De diferentes géneros, velocidades, pesos e garantidamente de diferentes moods. Alguém sabe traduzir mood?
Músicas que fazem a aparelhagem estalar.Um saxofone, uma guitarra, um baixo ou simplesmente uma voz e um órgão duvidoso. Mais vezes do que gosto de admitir, obrigam-me a reconhecer que os ingredientes são de qualidade duvidosa. O McCartney não era um grande baixista, o Dylan nunca cantou uma nota e o Kurt Cobain não sabia mais que três acordes. Mas e então? Não serão duas das maiores bandas da história? E Dylan não será a verdadeira voz de uma geração?
Na música não há regras ou fórmulas mágicas para o sucesso. As partituras não passam de elementos de orientação e muitos dos caminhos para o estrelato pouco têm a ver com verdadeira Música. Não há explicação possível e todas as teorias acabam por soar a disparate. É genial porque sim. Porque é.
Hoje, fica um naco suculento de Música. Assim, com letra maiúscula, sem deixar nada por dizer ou dar direito a discussão. E quando assim é ... o melhor é nem escrever.
Beck
Everybody's Gotta Learn Sometimes
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sexta-feira, 12 de março de 2010
Is There Anybody Out There?
Não digo, rigorosamente, mais nada.
Pink Floyd, Is There Anybody Out There?
(É ou não assustador como uma única frase e seis cordas chegam para fazer uma música absolutamente genial.)
Enjoy
Pink Floyd, Is There Anybody Out There?
(É ou não assustador como uma única frase e seis cordas chegam para fazer uma música absolutamente genial.)
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terça-feira, 9 de março de 2010
segunda-feira, 1 de março de 2010
Velhos amigos
Já me tinham dito que acontecia. Que em certas alturas, por um motivo ou por outro, se passa a acordar sem ter a mais pequena ideia do que se quer. Sempre tive dúvidas que fosse possível. Desta vez, estava enganado - há mesmo alturas na vida em que se acorda sem vontade de sorrir.
Estou sem vontade de escrever, sem vontade de surfar, sem vontade de me divertir. Dizem que passa e há, pelo menos, três milhões e meio de músicas sobre o tema. Ainda assim, desta vez, a melhor companhia nem tem sido a banda sonora. Nas horas de aperto, são os amigos de carne e osso que nos safam. Mesmo estando sempre entre as companhias preferidas, neste caso os discos não chegam.
Ter alguém que telefona, que aparece, que liga a playstation, que insiste na surfada ou que, no limite, aparece com um disco novo para ouvir, é um luxo. Poder ter com quem trocar meia dúzia de, mais ou menos sábias, palavras pode ser o suficiente para encontrarmos a força para recuperar o caminho.
A imagem que me vem à cabeça - talvez pelas horas de Call of Duty a que me tenho sujeitado - é a de um tropa que cai, com um ou dois tiros, em território inimigo. Nessa altura, na vida como no jogo, se não há um Wing Man para nos resgatar estamos tramados. A mim, felizmente não me têm faltado irmãos de guerra.
O problema? Como todos os luxos, seja em Lisboa, no Iraque ou aos comandos de uma Playstation ter apoio ajuda, mas não resolve. Porque mesmo de pé há alturas, ou situações, que são mesmo uma merda. Fodidas de sobreviver e ainda piores de resolver.
Enjoy
Estou sem vontade de escrever, sem vontade de surfar, sem vontade de me divertir. Dizem que passa e há, pelo menos, três milhões e meio de músicas sobre o tema. Ainda assim, desta vez, a melhor companhia nem tem sido a banda sonora. Nas horas de aperto, são os amigos de carne e osso que nos safam. Mesmo estando sempre entre as companhias preferidas, neste caso os discos não chegam.
Ter alguém que telefona, que aparece, que liga a playstation, que insiste na surfada ou que, no limite, aparece com um disco novo para ouvir, é um luxo. Poder ter com quem trocar meia dúzia de, mais ou menos sábias, palavras pode ser o suficiente para encontrarmos a força para recuperar o caminho.
A imagem que me vem à cabeça - talvez pelas horas de Call of Duty a que me tenho sujeitado - é a de um tropa que cai, com um ou dois tiros, em território inimigo. Nessa altura, na vida como no jogo, se não há um Wing Man para nos resgatar estamos tramados. A mim, felizmente não me têm faltado irmãos de guerra.
O problema? Como todos os luxos, seja em Lisboa, no Iraque ou aos comandos de uma Playstation ter apoio ajuda, mas não resolve. Porque mesmo de pé há alturas, ou situações, que são mesmo uma merda. Fodidas de sobreviver e ainda piores de resolver.
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